Centro Escolar de Calvão
Imagem
Estamos interessados em pensar num projecto de imagem clara e forte, capaz de poder funcionar como “objecto” singular, capaz de questionar o programa em questão sobre diversos parâmetros, e, quiçá, de poder funcionar como “peça” de elevado poder representativo para o município.
Conceito
Através da implantação de um grande volume, propomos a apropriação da escala e proporções do edificado próximo do local (Pavilhão Industrial, Piscina e Seminário).
Partindo de um “grande” quadrado (84m. x 84m.), extrudimos essa base 6m.
Esta estratégia permite:
- Reforçar a presença e afirmação do Centro Escolar como equipamento para a comunidade, logo, como pólo de desenvolvimento local (neste caso nas áreas sócio-cultural, recreativa e desportiva).
- Através do “bom” pé-direito, oferecer conforto ao espaço interior; logo tornando a atmosfera interior mais agradável.
- Unificar todo o beiral à cota do Ginásio, proporcionando um desenho claro da volumetria (paralelepípedo), bem como das quatro fachadas.
Pátios
Como se de uma espécie de esponja se tratasse, (existência de buracos com diferentes proporções), ou, usando outro exemplo, como se de escultura de Chillida fosse o caso (a qual resulta final após um processo de subtracção de partes do volume inicial), optamos também por um processo de subtracção de matéria, isto é, através da extracção de massa da grande peça, obtemos como resultado um objecto capaz de através dos seus “poros”, responder a necessidades funcionais e programáticas, mas, mais que tudo, poder gerar diferentes mais-valias a toda a proposta.
Como resultado deste processo do retirar, surge uma figura identificadora da construção mediterrânea, isto é, o pátio.
Procuramos este elemento, não só como elemento estético, mas também como estratagema para garantir alguma resposta a questões de sustentabilidade (logo, as mais-valias referidas anteriormente); assim, sendo esta região uma região de clima húmido (proximidade ao mar) é possível garantir diferentes pontos de ventilação e arejamento dos espaços de um modo natural, minimizando, logicamente, os custos relacionados com a manutenção do equipamento.
Por sua vez, o pátio é espaço de prolongamento do interior, possuindo portanto a capacidade de aumentar a área do espaço interior em questão, e mais que tudo oferecendo a possibilidade de trabalhos escolares no exterior.
Por fim, quando nos recordamos dos nossos tempos de escola, o pátio surge no nosso consciente; este elemento era então associado ao local de recreio, logo de diversão, tornando portanto a permanência no Centro Escolar mais agradável para os alunos.
Assentes em questões de qualificação, de hierarquização, e de escala, propomos três tipos de pátios:
- O pátio maior (Recreio Livre): pátio central com carácter de grande recreio. Através da introdução de uma “lâmina” de estrutura ligeira (pala de coberto que liga a parte Sudeste do edifício à zona coberta do recreio, ao núcleo do Refeitório e ao núcleo do Ginásio e apoios), é possível “separar” dois espaços de Recreio Livre, ou seja, apesar de ser perfeitamente possível circular em todo o pátio, autonomizam-se duas zonas, uma para o 1º Ciclo EB, e uma outra para o Pré-escolar.
- Os dois pátios intermédios (junto por exemplo aos Laboratórios e Biblioteca): como espaços de prolongamento do pátio maior (logo não pondo em causa a fluidez de movimentos), estes dois pátios têm a finalidade de proporcionar aos alunos espaços de maior “silêncio” e diversificação em relação ao pátio maior.
- Os pátios de menor dimensão: pátios de prolongamento do espaço interior, mais os pátios de acesso ao exterior entre o edifico e a vedação.
Diafragma
O diafragma fotográfico é o dispositivo que regula a abertura de um sistema óptico. É composto por um conjunto de finas lâminas justapostas que se localizam dentro da objectiva, e que, deste modo, permitem a regulação da intensidade de luz.
Interessou-nos este mecanismo, como elemento conceptual no desenvolvimento da proposta.
O seu uso, possibilitou-nos explorar não só questões compositivas e formais nas fachadas e na cobertura, mas, verificámos que poderiam surgir outras questões e temas de trabalho, logo potenciando toda a qualidade de um projecto de arquitectura.
Um desses exemplos tem a ver com a questão da iluminação. Como analogia e referência, tomemos como exemplo as torres e clarabóias de vento das construções tradicionais iranianas (estas estão orientadas aos ventos dominantes para a ventilação e refrigeração do interior). Através da colocação dos “diafragmas” na cobertura com o ponto mais a Sul à cota 3.00m., enquanto que todo o perímetro está à cota 6.00m., é possível realizar uma espécie de boca aberta a Sul; deste modo, para além de se proteger estes pátios dos ventos dominantes (parece o contraditório do exemplo iraniano, mas este serve para explicar o “mecanismo”), garante-se uma maior iluminação não só no pátio, mas indirectamente no espaço interior junto ao mesmo. Em suma, procuramos o Sol, como consequência, protegemos estes espaços dos ventos dominantes a Norte / Noroeste (“um dois em um”).
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Ficha técnica:
Designação: Centro Escolar de Calvão
Localização: Calvão, Vagos, Portugal
Data: 2008 (Concurso - não respondendo a um artigo do Regulamento de Concurso, a proposta não foi hierarquizada pelo júri)
Promotor: Câmara Municipal de Vagos
Projecto de arquitectura: Cláudio Vilarinho
Colaboradores: Filipe Lemos, João Sousa, Tânia Lopes, Vasco Silva
Projecto de Arquitectura Paisagista: António Moreira
Projecto de especialidades: JCT - Consultores de Engenharia, Lda.
3d: Nelson Correia & João Macedo