Centro Escolar de Gafanha da Boa-Hora (3º prémio)
Mão Amiga - Conceito
Propomos um conceito de elevado poder representativo e simbólico para o programa em questão.
A proposta nasce com referência a um dos possíveis trabalhos leccionados no Centro Escolar, ou seja, a impressão da mão.
Numa primeira etapa, este processo consiste na pintura da palma da mão com tinta; de seguida coloca-se a palma da mão num suporte (em geral numa folha de papel); por fim, após a retirada da mão, surge como resultado final a impressão da mesma.
Mantendo a configuração da mão, isto é, mantendo a relação entre a palma e os dedos, é realizada uma distorção de maneira a originar uma forma que se adapte ao terreno de intervenção – idêntica reinterpretação foi pensada por Le Corbusier em Chandigarh, Índia; ou mesmo por Eduardo Chillida em San Sebastian, Espanha.
Flexibilidade e Polivalência
Nesta proposta, entendemos a flexibilidade e a polivalência a vários e distintos níveis:
- Construção faseada: por questões de financiamento do Ministério da Educação e de outros ligados à legislação, parece-nos inoportuna a construção faseada deste tipo de equipamento; contudo, gostaríamos de referir esta possibilidade, isto é, devido à questão de propormos um edifício constituído por 8 núcleos (ao qual se agrega um corpo de ligação), poder-se-ia construir apenas alguns dos núcleos numa primeira fase, deixando portanto para uma outra fase os restantes.
- Autonomia de funcionamento do programa “aberto” à comunidade: através da proposta de uma entrada autónoma no edifício, por sua vez, através do deslizamento de um simples painel de correr (situado no átrio de entrada), é possível dividir o Centro Escolar em dois usos distintos, isto é, o uso exclusivo aos alunos e pessoal, e o uso possível por parte da comunidade; visto que de um dos lados se encontram as Salas de Aula, as Salas de Actividades, o Refeitório e o programa do pessoal esta autonomia é perfeitamente possível em horário lectivo.
- Compartimentação nas salas respeitantes aos Laboratórios, Informática e ATL + CAF: maximizando e potenciando o seu funcionamento, pareceu-nos pertinente dotar este programa de “mais área”; sendo assim, através da implementação de um sistema de carpintaria em fole, é possível que cada um destes espaços funcione como um único; ou, de acordo com o solicitado no programa colocado a concurso, que funcione como duas salas individuais.
- Compartimentação de parte do espaço intersticial entre núcleos: entendemos o espaço de distribuição entre os diferentes núcleos como peça que deveria possuir determinadas qualidades; essas qualidades, entre outras, deveriam das boas proporções, e do seu bom funcionamento; por sua vez, questionamos a parte do programa relativo às Salas Polivalentes (espaços que à partida são para ser usados “às vezes”); em todo este sentido, o que propomos é que no dia-a-dia “eliminemos” a área necessária para estas Salas Polivalentes, contudo, quando necessárias, através do mesmo sistema de carpintaria em fole, “elas aí estão”.
- Materialidade interior: pensamos que a figura da cor irá “andar por qualquer lado”, logo não precisaríamos muito de a implementar no projecto de Arquitectura; deste modo propomos o uso de materialidades interiores de cores claras; esta aposta para além da possibilidade de gerar ambientes luminosos, possibilita gerar paredes de exposições permanentes para os trabalhos escolares, potenciando assim a interacção do Centro Escolar com a comunidade.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Ficha técnica:
Designação: Centro Escolar de Gafanha da Boa-Hora
Localização: Gafanha da Boa-Hora, Vagos, Portugal
Data: 2008 (Concurso)
Promotor: Câmara Municipal de Vagos
Projecto de arquitectura: Cláudio Vilarinho
Colaboradores: Filipe Lemos, João Sousa, Tânia Lopes, Vasco Silva
Projecto de Arquitectura Paisagista: António Moreira
Projecto de especialidades: JCT - Consultores de Engenharia, Lda.
3d: Nelson Correia & João Macedo